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Copa do Mundo: Uma Vitrine da Geopolítica Mundial

DESTAQUES

Colunista, Historiador- Everton Villa ( Vevi )

Uma copa do mundo é um atrativo realmente exuberante. Ela proporciona o que há de mais agradável em torcer, porque vai além de tão somente torcer. Quem gosta de futebol espera ansioso para ver lances geniais de craques de todo mundo que se encontram em um campo de futebol. Espera-se o drible curto e a arrancada do Messi, a juventude explosiva e brilhante de Mbappé, o desempenho de máquina robótica e exterminadora do Cristiano Ronaldo e o drible espontâneo, gingado, alegre e abrasileirado do Vini Jr.

Sem dúvida é fantástico imaginar que neste período a terra toda está vendo a copa. Em qualquer lugar do mundo, por mais remoto que seja, o principal assunto é um torneio que reúne 48 equipes de futebol espalhadas em 3 países, competindo pela tão sonhada taça, que até furtada já foi: Jules Rimet.

Claro que nem tudo é apenas futebol. A começar pelos anfitriões. Deixo de lado Canadá e México agora, para falar dos EUA. Ainda que alguns desgostem de minhas opiniões, e isso é lisonjeiro para mim, também é fato que os norte-americanos são uma potência mundial, e o são, justamente, pelo fato de sempre terem explorado territórios, países e pessoas, sua influência geopolítica sempre flertou com o imperialismo, sempre procurou promover uma paz por meio de sansões, de retaliações, coagindo, humilhando e matando. Trump, não por acaso, ilustra esse imperialismo em todos os gestos e atitudes de déspota que eventualmente vomita na face do mundo.

Na copa, não seria diferente. Os EUA mandaram um árbitro de volta para seu país sem darem maiores explicações, o melhor árbitro da África. Um time inteiro foi revistado ainda na pista do aeroporto, até os sapatos foram arrancados e todos submetidos a detectores de metais. O Irã jogará suas partidas nos EUA, mas não poderá ficar no país, sua base será no México, os mexicanos por sua vez, não emitiram opinião sobre a decisão americana, apenas acataram, como faz uma mãe amendrontada que quer proteger o filho da surra do pai e manda-o para o quarto até que o patriarca esfrie a cabeça.

Para quem olha sem querer ver, as coisas seguem normais, o sol é quente e faz muito calor no EUA. Nova York é uma cidade incrível, cheia de arranha céus, com sua impressionante Times Square e o enigmático Central Park.

No entanto, para um olhar um pouco menos complacente e de instinto afiado, para quem conhece minimamente a “outra” História americana, sabe e consegue distinguir qual é a boca que tem dentes e qual é o verdadeiro porrete que bate, a verdadeira face da velha política do “big stik”.

É claro que para o jogo político americano e consequentemente para os planos absortos de Trump, é extremamente conveniente uma copa do mundo em seu país. De uma maneira quase lúdica e especialmente deferida por uma imprensa mundial conivente, que jamais emite opinião por achar que isso é sensacionalismo, os EUA vão dando as cartas da nova geopolítica mundial, onde as mesmas potências de sempre estão na mesa jogando com um baralho novo e comendo queijo, enquanto alguns ratos esperam as migalhas que caem no chão, mas esquecem que a ratoeira está armada ao pé da mesa.

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