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Educação brasileira: Sua banalização é um artifício do seu próprio povo

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Educação brasileira: Sua banalização é um artifício do seu próprio povo

Colunista- Everton Villa ( Vevi )

A educação já foi bandeira e símbolo de alguma luta neste Brasil cada vez mais tensionado por pequenas guerras de guerrilhas. Não que eu subestime chamando de pequenas as lutas das pessoas por direitos e melhorias de condições de vida, apenas penso que certos direitos já foram adquiridos e não necessitam de reafirmações, se acaso não estejam funcionando como deveriam, precisa-se urgentemente rever os votos e os políticos que representam pessoas as quais reivindicam esses direitos, e fazer novas escolhas, é o processo democrático. Certo? Errado! Embora pareça prático, em meio a isso existem as intenções, o jogo político, as dissimulações, os dogmas, as doutrinas e muitas mentiras, enfim, ainda é o processo democrático, mas banalizado. Inconscientemente? Claro que não. É tão somente o mundo onde as coisas valem aquilo que elas precisam valer para alguns poucos, digamos ironicamente, iluminados. Mas eu falava da educação. Esse é o assunto que vou me ater. Como disse, muitos carregaram essa bandeira, nomes fortes no cenário político: Leonel Brizola que dedicou boa parte de sua vida na luta pela universalização da escola primária e do ensino integral. Pessoas como Paulo Freire, Luíza Erundina especialmente na alfabetização de adultos enquanto prefeita de SP, Darcy Ribeiro, este um dos maiores defensores da escola pública, poderíamos citar vários.

Agora é a vez de Eduardo Leite, o governador do Rio Grande quer a educação do Estado no topo do Brasil. É louvável a iniciativa do governo gaúcho, é intrínseco para o Brasil uma educação nivelada por cima, porém como fazer é bastante discutível. Segundo o governo, as bases para tal levante serão de oito diretrizes: Alavancar a qualidade do ensino; reduzir desigualdades; garantir acesso e conclusão; inserir e qualificar os jovens na economia; rede de escolas atrativas; profissionais qualificados, “valorizados” e engajados; fortalecer gestão escolar; transformar os processos educacionais por meio de novas tecnologias, entenda-se inteligência artificial.

Vamos analisar um pouco. Exceto a última diretriz que é relativamente nova, as outras todas já são extremamente conhecidas de todos os educadores, e retorno ao primeiro parágrafo onde falo sobre reafirmar direitos. Ora, sagazes leitores, qualidade, acesso, preparar o jovem para o mercado de trabalho e noções práticas de economia, inclusão, e especialmente valorização (aqui serei didático: SALÁRIO justo, que dignifique a profissão de um educador e tire dele o esterótipo de bom moço que ama sua profissão e isso deve bastar para o sucesso profissional). Já estamos fartos de saber que nada disso é novidade, não há surpresa alguma na inventividade do governador e de sua secretaria. Um professor neste país é o ser humano que mais ama sua profissão, e quem mais deseja que a educação prospere, seus vencimentos corroboram isso, a pandemia Covid lhes rendeu ares que beiram a mendicância, quando governos apertaram o cinto parcelando seus salários, pois devem acreditar em uma máxima frustrante: que um professor tem a habilidade de passar a bolachas de água e sal e café, nada lhes tira o chão. Então queima-se mais algumas bruxas na fogueira, enforca-se mais alguns Tiradentes, crucifica-se mais alguns cristos, pedalase mais alguns trocados e aqui não há perigo algum de alguém sofrer impeachment.

O projeto da educação falha e continuará falhando enquanto continuarmos produzindo e gerando miséria. Seguirá falhando enquanto os governos e as instituições seguirem promovendo o trabalho para jovens às custas de baixos salários e promessas de futuro promissor em mercados de trabalho que não se sustentam quando o nível da educação é baixo. Se há oferta de trabalho e mão de obra barata é porque o círculo se repete e é infinito. É um circuito que funciona exatamente assim: Alta produção, geração de miséria, baixa renda dos pais, pelo fato de pouco ou nenhum estudo, oferta de emprego para seus filhos ajudarem na renda familiar, evasão da escola em troca do trabalho e a perspectiva de futuro promissor, baixo salário, que gera falta de motivação para tentar estudar e mudar de vida e possível formação de família, então filhos e o processo contínuo e repetitivo

A única maneira é levar a sério o sistema educacional. Para isso é necessário implementação de políticas públicas que se mantenham, pessoas que votem com essa consciência e cobrem coletivamente os governos. Se as bandeiras nas ruas e os panelaços forem apenas em prol da idolatria partidária e de políticos e suas idiossincrasias, seguiremos mitigando a educação, usurpando direitos, sonhos e vidas, e castrando possibilidades de quem ainda teima em sonhar.