

A mudança não virá pelas eleições
O ano era 1922, há exatos 100 anos. O então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, havia encarregado dois civis para comandar o ministério da guerra e da marinha, os militares logicamente não gostaram da ideia de acatarem ordens de civis (embora civis obedeceram a déspotas “milicos” por mais de 20 anos nesse país), e sussurrava-se uma tentativa golpista nos quartéis, afinal eram tempos de eleições e o candidato da base do governo estava ganhando a disputa eleitoral.
E venceu! Artur Bernardes torna-se presidente, mas um pouco antes de vencer, um jornal carioca publica uma carta contendo xingamentos ofensivos ao alto comando do exército, e principalmente ao ex-presidente, o Marechal Hermes da Fonseca. A carta, diziam ser atribuída ao então candidato Bernardes, o qual negava veementemente. Porém os quartéis estavam em polvorosa e exclamavam a nebulosa frase: “A procissão vai sair”!
Por certo àquela altura, o governo já sabia do intento golpista contra a democracia, e no amanhecer de 5 de julho de 1922 um disparo de canhão partindo do forte de Copacabana foi o sinal, no entanto ninguém mais disparou e o capitão do forte Euclides da Fonseca percebeu a derrocada de seu plano.
Seu pai, o marechal Hermes da Fonseca, ex presidente do Brasil e líder do clube militar já estava preso, ainda que um tanto engraçado e contraditório, a lei instituída, dizia para punir agremiações nocivas a sociedade, desse modo o clube militar fora fechado, Euclides tentou negociar com o
palácio do Catete, mas também foi preso.
Assim, dos 300 homens dispostos a dar um golpe na democracia, restaram apenas 28, pois a grande maioria recuou quando viram o forte cercado por mais de 4 mil homens. Os 28 saíram em marcha para tomarem o palácio do governo, porém 10 desertaram, restando apenas 18, destes, 16 foram
mortos. Na época foram chamados dois peritos para examinarem a carta publicada no jornal, eles confirmaram como sendo do então candidato Artur Bernardes, alguns anos mais tarde, os dois confessaram ter mentido, as cartas não eram da autoria de Bernardes, aparentemente as fake news
são conhecidas a um bom tempo. Essa é a história resumida dos 18 do Forte.
As eleições estão chegando mais uma vez no Brasil no país da esquerda, da direita e das ditaduras fortalecidas. No país de ideologias apoteóticas, patéticas, sim, patéticas. Pois os homens que movem essas ideologias, pouco sabem da maneira como elas foram construídas, fornadas ou quem são seus autores. E, a bem da verdade, os partidos políticos são fruto dessas ideologias, formaram-se a partir delas, e por óbvio, suas excrecências também. Sob essas prerrogativas, criaram-se também os partidos de centro, o famoso centrão. Esse sim, ganha dinheiro aos borbotões, principalmente com Pecs de benefícios que acabam em dezembro de 2022, refestelando-se com dinheiro público. O mesmo centro que arquitetou e derrubou com um golpe a ex-presidente Dilma, o mesmo centro que alavancou e projetou Lula com seus projetos de políticas públicas eleitoreiras, o mesmo ardiloso centro que jogou para cima o capitão planeta do Brasil, o repugnante Sérgio Moro, que passou de um juiz que escancarou a lava jato e prendeu corruptos, para um asqueroso rato, comedor de
migalhas que a milícia do atual governo Bolsonaro deixa cair da mesa do Palácio da Alvorada. Um governo sorrateiro, pérfido e tão corrupto quanto foram os outros, no entanto, este com odes a déspotas que estão na lata de lixo da história.
Um dia ainda vamos entender o valor real do voto como supremacia democrática. Vamos perceber que lugar de milico é na caserna e o exército antes de tudo é legalista. Talvez um dia deixaremos de adotar políticos de estimação, deixaremos de sacrificar nossas crianças e teremos escolas de
qualidades e políticas públicas salutares com investimentos de 5 bilhões para saúde e educação e não para gastar em campanhas políticas, numa eterna permuta com dinheiro público, nem para arquitetar projetos manipuladores e oportunistas, onde o trabalhador pensa em mudar o país com seu voto, mas não passa de massa de manobra, o agricultor acha que trabalha para sustentar o seu povo e na verdade engorda porco na Europa e na China e o professor protesta seus direitos, ganha mal, faz greve e nunca se organiza para começar a prover mudanças efetivas, pró causas
educacionais, forçando o governo a tomar uma atitude, afinal é a partir da educação que venceremos e jamais, sob hipótese alguma, essa mudança virá dos seus políticos estigmatizados e sedentos por dinheiro. O nosso dinheiro!
Compartilhe isso:
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
Alcides Oliveira
Num pequeno texto definiu a realidade brasileira,,,,, parabéns por expor esse belo texto.
Os comentários estão fechados.



1 comentário