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Coluna Políticas Públicas e Sociais: Ode ao opressor

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Everton Villa-Colunista

Ode ao opressor

Tenho pesquisado e estudado muito sobre a História da América e o período colonial, bem como a ideia organizacional dessas sociedades, apesar de muitas pessoas pensarem que os povos ameríndios, latino-americanos existam por conta dos ibéricos, lhes afirmo que não, deste lado do mundo, Incas, Maias e Astecas já existiam e são responsáveis por originarem formações culturais de outras regiões do continente.

Embora esse assunto seja aprazível e supostamente ainda irei retomá-lo, não era sobre ele meu propósito e sim a respeito do que vem atrelado a este assunto: a opressão que sofrem as massas. Uma ótima pauta, sempre abordada e discutida, mas rasa no sentido efetivo de luta e respeito.

Podemos observar que essa opressão sujeita as pessoas a um calvário e estabelece prejulgamentos e conceitos dissonantes da realidade. Vejamos o caso recente do epopeico ator, símbolo de resistência negra, Will Smith, quando ele desfere um tapa no rosto do apresentador Chris Rock, um tabefe digno de um Oscar, aliás era onde eles estavam, na apresentação do Oscar. Chris Rock fazia piadas sobre a esposa de Will, ela sofre de uma doença que a faz perder os cabelos, o homem enojado com a exposição de sua companheira, esbofeteou o comediante.

No dia seguinte as redes estavam em clarividente e circunspecto julgamento, inclusive pessoas ligadas à luta contra o racismo, dizendo ser um absurdo dois negros brigarem num evento onde eles eram celebridades, escrevendo besteiras sensacionalistas e abreviando ainda mais a história que tentam calar há séculos.

Outro levantamento foi o de cunho machista, entendem os “críticos” o tapa deveria ser dado pela esposa do ator, afinal ela fora a agredida. Ora essa, ninguém além do casal tem consciência das agruras enfrentadas durante uma doença, não se sabe o tamanho do abalo sofrido e como está agora o senso crítico desta mulher, sem esquecer que Will agiu instintivamente, isso pode ser incomensurável para os nativos digitais, porém é próprio do ser humano, podem acreditar.

Sou um confesso consumidor das comédias de stand-up, e poderemos inclusive discutir os limites das piadas em outro momento, se eles existem ou não, no entanto aquele definitivamente era um momento inoportuno, não havia ambiente propício para uma piada, sobretudo naquele tom, e nas circunstâncias já ditas acima. Parte daí minha contextualização.

Tornou-se prático e cotidiano espionar a vida das pessoas, sintetizar e até mesmo aderir a seus hábitos, somos insuflados por meios de comunicação e plataformas de streaming a celebrar essa fanfarronice, mas ao cabo e ao fim tudo isso é uma autossabotagem, uma maneira de querer ser notado, um palanque. Quando nos tornamos tão insuficientes e subalternos?

Então sabemos das opressões e insistimos em analisá-las criticamente sob o viés do opressor, dentro desta perspectiva bucólica e claustrofóbica imposta e oriunda das colonizações. Mesmo sem querer oprimir, buscamos um lugar de fala balizados às vezes no senso comum, onde as sociedades aprenderam a esconder verdades ou tergiversá-las, afinal descendemos de uma colônia responsável por mentir, dizimar, oprimir e expropriar. Qualquer semelhança é mera coincidência!