Colunista, Historiador- Everton Villa
Em 1924, na África do Sul, O cientista Raymond Dart, descobriu os primeiros fósseis de australopitechus, porém coube ao antropólogo Yvens Coppens, a descoberta do fóssil mais completo de um australophitechus, Lucy. Os australopitecos se distinguem na escala evolutiva justamente pela capacidade que desenvolveram de se locomoverem apenas usando as patas traseiras, tornando-se bípedes. Este salto evolucionário, permitiu a liberdade das patas dianteiras, e, essas, por sua vez, tornaram-se mãos e ganharam nova função: manipular objetos.
Cerca de 1,5 milhão de anos, o homo habilis, desenvolveu a capacidade de manipular artefatos e instrumentos, assim além do bipedismo, eles agora conseguiam interagir frequentemente com a natureza e modificá-la, a medida que esses instrumentos ficavam mais sofisticados. Dessa maneira, o ancestral do gênero Homo seguiu sua evolução, controlando, manipulando e criando.
A evolução chega nos dias atuais com uma expressão de força nunca antes vista e, agora, talvez, nunca antes tão indomável, parece fugir ao controle, parece ter vontade própria. Anteriormente, Robert Oppenheimer, contribuiu um pouco mais com salto evolutivo, criando a bomba atômica, no projeto Manhattan, um empreendimento de pesquisa onde se desenvolveram as primeiras armas nucleares.
Daqui para a frente, intrépidos leitores, acredito que já possam entender onde estou querendo chegar. A imensa maioria de metais pesados extraídos nas chamadas “terras raras” são usados na fabricação de armamentos bélicos. A tecnologia avançada propicia a fabricação de motores, turbinas de aeronaves cada vez mais rápidas e potentes, mísseis de longo alcance, enfim, uma série de armamentos que causam destruição em massa. Guerras sempre existiram e sempre existirão, afinal o mundo conhecido e explorado pelos homens, com o perdão das repetições, sempre esteve dividido. Novos territórios descobertos, seguiam de novas explorações e novas divisões, as evoluções tecnológicas tentam sempre suprir as dificuldades, os percalços que impedem novas explorações.
Assim o mundo contemporâneo também se dividiu em ocidente e oriente. As escolas erroneamente nos ensinavam essas divisões. Os jornais e revistas sempre nos mostraram um oriente pesado, matando mulheres a pedradas. Nos ensinaram a temer as religiões e as facções terroristas, que matavam as pessoas como se comprassem um pão na padaria.
Do lado ocidental, aqui, olhávamos tudo horrorizados pela TV, assustados. Onde já se viu matar mulheres desse jeito. Onde já se viu facções armadas protegendo e sendo financiadas por políticos e tudo sob a égide do Estado.
Como pode alguém dizer que Deus é Alá?
Todas essas propagandas com o viés político imperialista ocidental nos trouxeram informações desarticuladas, falhas e um tanto dissimuladas, forçando a compreensão de um ocidente perfeito e um oriente caótico, com uma política mórbida e liberdades castradas.
A realidade jamais foi essa posta. Ainda está fresco o sangue de mulheres assassinadas em todo o mundo, o tempo todo. Rememorem as facções, o crime organizado na América e na Europa, e quem mais além de governos e grandes empresários os financiam? Basta reaver os períodos históricos que os coadjuvantes das duas grandes guerras nos proporcionaram. Está tudo nos livros, estão em arquivos de fácil acesso.
Os Estados Unidos, por exemplo, como uma potência do continente americano, financiou e segue financiando guerras mundo afora, cria estereótipos de libertador de povos, levando liberdade onde há déspotas, levando Deus onde há o diabo, levando paz nos desaventos, como diz a música.
Portanto, esse estereótipo de segurança nacional absolutamente não tem neutralidade alguma, é apenas um ato de poder discursivo e esse lócus de poder específico vai definir o que é ameaça, e o que vai demandar repressão e consequentemente “proteção” para um povo, esse aparato de apoio, vem atrelado, claramente, a um interesse vital para os EUA.
Existem potências mundiais que comandam o mundo, que regulam mercados, e, volta e meia, os sobejos e as idiossincrasias de políticos poderosos, transformam a realidade e mudam o curso da história e a realidade de milhões de pessoas de vários lugares. Depois de um tempo o mercado regula-se novamente, novas especulações, novas explorações e estratégias, até que surge um novo país no mais completo “apocalipse now” e seu povo clamando por uma suposta liberdade que lhes foi tirada, é ali então, que ressurgirá o defensor de todo o nacionalismo beligerante e sua política do “big stick”, falando manso e carregando um grande porrete.
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