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A Facilidade de Ser Político no Brasil: O Espetáculo das Ofensas e a Ausência de Propostas

DESTAQUES

Estamos oficialmente no período eleitoral. Os palanques já começaram a serem montados e, mais uma vez, o brasileiro se vê diante de um cenário desolador: a política transformou-se num ringue de ataques pessoais, onde propostas concretas são raridade e o verdadeiro derrotado é o cidadão.

Se você é candidato de direita, basta falar mal da esquerda. Se é de esquerda, basta falar mal da direita. O resultado? A eleição está garantida. A equação é simples, mas perversa. Em debates nacionais e estaduais já realizados, o que se vê são candidatos repetindo o mesmo roteiro: um acusa o outro de corrupção, o outro devolve com um escândalo do passado, e assim o tempo passa. Nenhum deles apresenta planos de governo detalhados, cronogramas de obras, fontes de financiamento ou métricas de avaliação.

Onde estão os planos de governo?

O eleitor tem o direito de saber não apenas o que o candidato pretende fazer, mas como fará. Como reduzir a inflação? Como melhorar a saúde pública em cidades onde filas se arrastam por meses? Como pavimentar estradas que há décadas são sinônimo de buracos e poeira? As respostas não aparecem. Em vez disso, ouvimos discursos vazios, frases de efeito e, claro, o ataque ao adversário.

“Projeto” virou palavra mágica: todo candidato diz que tem um projeto, mas ninguém explica a engenharia financeira, a viabilidade técnica ou o prazo de execução. Falar é fácil. Realizar exige transparência e compromisso.

O cidadão paga a conta

Enquanto os políticos se digladiam nos estúdios de TV e demais entrevistas, o cidadão comum arca com o maior fardo tributário do mundo. Inflação alta, impostos sobre tudo, salários baixos e recompensa zero. A saúde é precária, as estradas são ruins, a educação patina. E, no fim do dia, os mesmos políticos que se atacam publicamente se abraçam em Brasília, tomam cerveja e dividem um churrasco quando o assunto é aprovar um aumento de salário ou um benefício para a classe política.

A cena é conhecida: oposição e situação se enfrentam com unhas e dentes nas câmeras, mas, nos bastidores, são aliados na defesa de privilégios. O brasileiro assiste ao espetáculo e paga o ingresso mais caro do mundo: impostos, desilusão e falta de perspectiva.

A receita do sucesso no Brasil

Se você quer se dar bem neste país, a fórmula é clara: torne-se político. Escolha um lado – direita ou esquerda – e repita o mantra de que o outro lado é o inimigo. Ataque, acuse, distorça. Não apresente soluções, porque soluções dão trabalho e exigem responsabilidade. O eleitor cansado e polarizado tende a votar no “menos pior”, e isso basta para garantir o mandato.

Enquanto isso, o Brasil real continua esperando. Esperando estradas decentes, hospitais que funcionem, escolas que ensinem, impostos que não sufoquem. Mas, no palco da política, o show continua – e o público, infelizmente, continua pagando o ingresso.

​Este artigo reflete uma análise crítica do cenário político atual e não representa a opinião institucional do jornal Colorado em Foco, mas sim um convite à reflexão do leitor.

Matéria: Jones Scheit

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