*Sistema FIERGS defende modelo de concessão da ferrovia Malha Sul com foco em integração e modernização*
_Em debate com representantes do poder público, Federação aponta nova concessão como estratégica para a competitividade industrial_
_Porto Alegre, 20 de janeiro de 2026 -_
O Sistema FIERGS defende a adoção de um novo modelo de contrato de parceria público-privada para a Malha Sul, cuja concessão à Rumo Logística se encerra no início de 2027, com foco na integração com os portos e na modernização da infraestrutura ferroviária. O tema foi debatido em reunião realizada nesta terça-feira (20), na sede da federação, em Porto Alegre, com a participação de representantes dos governos federal e estaduais.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que os avanços na malha são fundamentais para garantir a eficiência logística dos três estados do Sul, ressaltando que o Rio Grande do Sul enfrenta um cenário ainda mais desafiador, com boa parte da malha ferroviária subutilizada.
“Quando tratamos de temas ligados ao desenvolvimento, não há fronteiras estaduais. Nossos desafios são comuns. No Rio Grande do Sul, no entanto, essa relação é ainda mais crítica, pois somos um estado distante dos grandes centros consumidores nacionais e com vocação histórica para o comércio exterior. Para as 52 mil indústrias gaúchas, uma logística ágil e com custos previsíveis é fator determinante para a sobrevivência e o crescimento no mercado global”, afirmou.
Bier lembrou ainda que, nas últimas décadas, o estado perdeu mais da metade da sua extensão ferroviária e que, atualmente, restam apenas 921 quilômetros, muitos deles em más condições de manutenção, o que evidencia a falta de “uma visão de futuro para o modal ferroviário”.
Na avaliação da FIERGS, a nova concessão deve considerar investimentos compatíveis com o atraso acumulado de aportes, a modernização tecnológica dos trilhos e do material rodante, a integração eficiente com terminais portuários, polos de carga e corredores rodoviários e hidroviários, além de um contrato bem estruturado, com regulação eficiente e participação ativa dos usuários do setor produtivo.
Esse entendimento foi reforçado pelo coordenador do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) do Sistema FIERGS, Ricardo Portella, que destacou o papel estratégico das ferrovias para a competitividade e a sustentabilidade da economia regional. Segundo ele, a deterioração da Malha Sul compromete toda a cadeia logística, tema que tem surgido de forma recorrente nas discussões do Rota FIERGS 2025, programa de interiorização da entidade. “Falar de ferrovias é falar de competitividade, sustentabilidade e eficiência logística, especialmente em uma região exportadora como o Sul. A Malha Sul, porém, opera muito abaixo do seu potencial, com trechos degradados, baixa confiabilidade e investimentos insuficientes, afetando a indústria, o agronegócio, o comércio, os portos e toda a cadeia logística”, afirmou.
A necessidade de reconstrução e requalificação da malha ferroviária também foi associada ao processo de recuperação do Rio Grande do Sul após as enchentes. Para o secretário-adjunto de Logística e Transportes do estado, Clóvis Magalhães, o tema exige diálogo permanente com o governo federal e os demais entes federados. “O que queremos dizer ao governo federal é que a Malha Sul representa gerações de gaúchos, paranaenses e catarinenses. Não temos condições de enfrentar esses desafios sem diálogo. No Rio Grande do Sul, o sistema ferroviário ficou desconectado do país. Não conseguimos abastecer nossos parques industriais através das ferrovias e isso gerou impactos significativos nas rodovias”, afirmou. O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias catarinense, Beto Martins, e o diretor de Produção da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), Gerson Fabiano de Almeida, também apresentaram os desafios enfrentados em seus estados.
Do lado do governo federal, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, ressaltou a importância do diálogo com os estados para compreender as prioridades do setor produtivo e detalhou a proposta para a nova concessão da Malha Sul, além do cronograma previsto. “Este é um modal de transporte que pode transformar nossa relação com o restante do mundo. O Brasil exporta mais de US$ 350 bilhões por ano. Não existe país com a dimensão e a dinâmica econômica do Brasil sem ferrovias”, afirmou. O corredor gaúcho da Malha Sul, com 880 quilômetros de extensão, deverá ter edital lançado em setembro e leilão em dezembro. A concessão terá prazo de 35 anos, com previsão de investimentos (capex) de R$ 2,8 bilhões e capacidade para transportar até 5,7 milhões de toneladas por ano. Ribeiro acrescentou que, na nova concessão, a União poderá aportar recursos para capex.
Em um contexto mais amplo, Ribeiro lembrou que estão previstos oito leilões ferroviários no país, com R$ 656 bilhões em recursos para o setor, dos quais R$ 140 bilhões destinados a investimentos em malha ferroviária. O superintendente de Transporte Ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner, alertou que o debate sobre ferrovias é urgente, porque, sem elas, o escoamento da produção brasileira fica comprometido. “Esse é um risco que precisamos combater. Temos que garantir a manutenção do funcionamento da malha e pensar na sua ampliação”, concluiu.
Matéria: Leandro Brixius- Assessor de Fiergs.
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