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A Fascinação pelo Trágico: O Que Atraí o Público nas Telas?

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A Fascinação pelo Trágico: O Que Atraí o Público nas Telas?

Colunista: Jones Scheit

Desde a infância, sempre ouvimos nossos pais dizerem que não assistem a jornais porque, em sua maioria, os noticiários apenas exibem desastres e tragédias. Hoje, olhando para a programação das emissoras e canais de comunicação, fica evidente que essa preocupação não era infundada. A pergunta que fica é: por que o foco em desgraças ainda persiste?

A verdade é que, em muitos casos, o que predomina nas telas é exatamente aquilo que o público parece desejar: histórias de tragédias, acidentes e desastres. Essa preferência, no entanto, levanta uma reflexão preocupante. Parece que, de alguma forma, a sociedade aprecia a desgraça alheia, e isso pode ser sintoma de um comportamento profundamente enraizado em nossa cultura.

Com 20 anos de experiência em comunicação, testemunhei a evolução dos conteúdos e o engajamento do público em diversas matérias. Mesmo lidando com diferentes temas e abordagens, é notável como as histórias que envolvem tragédias captam a atenção da maioria. Infelizmente, uma reportagem sobre um acidente, por exemplo, gera mais visualizações e compartilhamentos do que uma matéria que trata de temas educacionais, culturais ou positivos.

Confesso que, como profissional da comunicação, não me sinto confortável ao abordar essas temáticas. Tenho um histórico de fazer poucas matérias focadas em tragédias, mas a realidade do mercado é clara: a demanda por conteúdo que envolve desgraças é alta, e isso se reflete nas decisões editoriais dos veículos de comunicação. A prática da fofoca e o sensacionalismo se tornam estratégias atraentes para conquistar audiência, embora, por outro lado, levem a um ciclo vicioso que alimenta a nossa sede por más notícias.

Este fenômeno é, sem dúvida, um convite à reflexão. É preocupante pensar que, ao invés de buscarmos informação enriquecedora ou inspiradora, nos deixamos levar pela morbidez do que está acontecendo ao nosso redor. Torço para que, aos poucos, as pessoas comecem a valorizar e compartilhar conteúdos que promovam educação, cultura e solidariedade, buscando um equilíbrio nas narrativas que consumimos.

Em um mundo repleto de desafios, é essencial lembrar que também existem histórias de superação, amor e esperança. Precisamos redirecionar nosso olhar para aquilo que realmente importa e, assim, cultivar uma sociedade mais bem informada e menos fascinada pelo trágico. A mudança começa com a escolha do que decidimos consumir e compartilhar.

2 comments

comments user
Anônimo

Excelente matéria coluna perfeita

    comments user
    jones

    Obrigado caro leitor !!! Forte abraço e obrigado pela companhia .

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