Coluna Politicas Públicas e Sociais: Do Natal como Manifestações Culturais Diversas
Colunista, Historiador: Everton Villa ( Vevi )
Os povos Persas viviam a leste da mesopotâmia, atual Irã nos dias de hoje, e festejavam, nos finais do mês de dezembro (geralmente entre os dias 20 e 21) o solstício de inverno, o dia mais curto e a noite mais longa do ano e o nascimento do sol sobre as trevas, sobre a escuridão, o natal dos persas é o nascimento da luz, o deus da luz.
Já os povos nórdicos ficavam desesperados com as árvores perdendo suas folhas e os frutos caindo pelo chão. Esperançosos de que suas árvores ainda produziriam e teriam folhas tão verdes quanto os olhos de alguma atriz dos filmes do Tarantino, os nórdicos penduravam enfeites para dar vida às árvores e embelezá-las até que a natureza completasse seu ciclo. Os pinheirinhos vieram dessa tradição dos povos nórdicos.
As festas natalinas brasileiras, por outro lado, eram bem diferentes dos persas no oriente médio e dos nórdicos europeus. O Brasil colonial trouxe, junto com açoites, suas manifestações culturais, danças, festas, recitais, e estas, se aglutinaram com a cultura dos povos originários e dos africanos. Mais tarde também, é claro, vieram italianos, alemães e japoneses para complementarem e contribuírem culturalmente com esses festejos.
Antes de ser uma data comemorativa de caráter religioso, o natal é a manifestação cultural de várias etnias que por motivos diferentes conviviam neste país e isso é algo fantástico de imaginar, porque apesar de todas as barbaridades que seguiriam desde o “descobrimento” (detesto esse termo), até os dias de hoje, as manifestações culturais e sobretudo, absorver essas diferentes culturas foi inevitável, tanto para os povos originários, quanto para africanos e portugueses.
Independentemente daquilo que cada um que está lendo esse texto acredite, se em algum Deus – digo algum Deus porque aparentemente para os religiosos cristãos, o Deus Alá dos religiosos islâmicos e os Deuses do hinduísmo, Shiva e Brahma não merecem tanta atenção, eu mesmo não acredito em deidades, mas respeito todas as crenças, as religiões também tem uma história e seus povos às contam e acreditam que esses deuses podem mudar suas vidas, isso deve ser respeitado- por isso, independente de crenças, acredito no bem que as pessoas podem fazer, no auxílio aos moradores de rua, às crianças que tem fome e aos idosos esperando em asilos que alguém apareça para visitá-los.
Meu recado de natal é a esperança em pessoas mais dedicadas e comprometidas em auxiliar os que precisam, na caridade de fazer sem querer algo em troca, e que isso não chegue perto do campo político, de ideologias patéticas e divergentes, aliás, seria louvável que essas ideologias soubessem que são diferentes e sempre serão, divergir é salutar nos processos políticos, o que incomoda é a canalhice e a sordidez.
Desejo a todos um ótimo natal de luz e um novo ano próspero e de mudanças de atitudes, de hábitos e de valores, para quem achar que precise mudar, obviamente.
“Tenho evitado cuidadosamente rir dos atos humanos, ou desprezá-los; o que tenho feito é tratar de compreendê-los”. (Baruch Espinosa).
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