Coluna Políticas Públicas e Sociais : Desconstruções
Colunista, Historiador- Everton Villa ( VEVI )
Zumbi dos Palmares foi o último líder do maior Quilombo que já existiu: o Quilombo dos Palmares. Zumbi tornou-se o principal e mais conhecido nome que potencializa a história de luta e resistência do povo negro, um líder nato que morreu pela liberdade de milhões de pessoas.
Maria Quitéria disfarçou-se de homem para lutar na Guerra de Independência do Brasil. Conquistou patentes por bravura e coragem em várias batalhas cruciais, passou por imensas dificuldades financeiras durante sua vida e, só foi reconhecida como a primeira mulher a integrar o exército brasileiro após sua morte. Uma grande guerreira, símbolo da resistência feminina, da força e atitude da mulher.
Machado de Assis tem uma biografia gigantesca. Um escritor marcante, dono de uma escrita única, sua genialidade aparece invariavelmente em todas as suas obras, Memórias póstumas de Brás Cubas foi a primeira que li, desde então soube: heróis existem. Machado foi ainda um dos fundadores da Academia Brasileira de letras, em 1896, se a memória não me falhar, pois a preguiça, nesse instante, me impede a pesquisa.
Por certo faço uso da figura de linguagem para enfatizar o autor, mas posso e vou explicar. Passamos por dificuldades imediatas no Brasil quando pensamos a respeito de pessoas que efetivamente ajudaram a construir espaços e mudaram percepções históricas, embora mesmo assim, não tenham a relevância nem o respeito deveras merecido por toda contribuição que deixaram.
Indubitavelmente existem muitas outras personalidades brasileiras que poderiam potencializar ainda mais nosso país e enriquecê-lo culturalmente. O problema é que enriquecer no Brasil é levado ao pé da letra, exatamente no sentido etimológico da palavra.
O brasileiro acostumou-se a bajular políticos, tê-los por heróis. Discutem por frivolidades políticas, não por causas, por soluções de problemas ou ideias evolucionárias. Agarram-se em tapas, brigam nas redes, soluçam em prantos por Lula e Bolsonaro, é um escárnio, uma pornochanchada de péssima qualidade, é muitíssimo engraçado, porém é lamentável.
Brasileiros fabricam heróis em palanques de campanha, em podcasts de péssimo gosto, tornam a ignorância um valor mensurável, então, sendo a ignorância valorosa, acaba agregando mais e mais simpatizantes dela, e sua derivação é o clichê absoluto.
Um país não se mantém apenas com conhecimento, eu sei, a política é necessária, Platão já disse: O problema de quem não gosta de política é ser governado por alguém que gosta, no entanto, a política não fabrica heróis, políticos são representantes do povo. Quem produz esses heróis de palanque, com gravatas e abotoaduras sugestivas, é a ingenuidades das pessoas, suas fragilidades e a facilidade que tem em ser moldadas para abraçarem discursos programados e dar colo a velhos políticos que jamais abraçarão qualquer causa que mude alguma realidade.
Bem mais simples e produtivo seria repousar sobre as pernas um livro de Machado de Assis e “viajar” de uma maneira que faça sentido.
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