O Domínio Populista

O Domínio Populista
Colunista- Everton Villa ( Vevi )
No período medievo os reis sentiam-se divindades, mas na verdade não era bem isso. A força do cristianismo propagado pelos romanos, sobretudo pelo poder de anexação de territórios e pela grande influência sobre os povos “bárbaros” e mais tarde, após o declínio do império romano do ocidente, também com o potente império franco, aos reis lhes foi outorgado o direito de ser um representante de Deus na terra.
Eram então homens poderosíssimos, predestinados ao divino, enviados da deidade suprema que assistia a tudo da sua confortável poltrona no céu.
Muito depois dos reis medievais divinos e em outro recorte histórico bem mais recente, no presente momento, na idade contemporânea, parece surgir outro ser ungido pelas forças do divino, pasmem, o presidente da república dos bananas, ou do Brasil, ao gosto do cliente.
Recentemente Lula foi até o sertão da Paraíba para entregar a primeira parte do projeto de transposição do rio São Francisco. É uma obra de importância incomensurável e discutida há pelo menos, um século. É um projeto que vai levar água para uma região semiárida do nordeste que tanto sofre pela escassez daquilo que é essencial para a vida.
Muito ardiloso e prepotente, Lula fez o típico discurso dos arrogantes. Sabendo das necessidades e da miséria que sempre assolou as regiões interioranas nordestinas, o presidente disse que Deus deixou o sertão sem água porque sabia que ele traria. Total falta de respeito com as pessoas! Um discurso populista e imbecil, que beira a canalhice e soa como humilhação. A obra é magnífica e importantíssima, porém o discurso é politiqueiro, eleitoreiro, hipócrita e proposital, justamente para induzir cidadãos.
É de uma crueldade abominável o discurso pronto do populismo. Massagear ego no sentimento alheio, onde nutrem-se expectativas de mudanças de qualidade de vida é um absurdo, é inaceitável.
Tudo isso reforça minha percepção de que precisamos urgentemente rever nossas opções de voto. A esquerda brasileira parece pertencer a Lula, o velho barbudo não permitiu o crescimento de mais ninguém no segmento, nada pode sufocar o artista, calam-se as vozes da esquerda, e sem vez para nada, acabam-se também as vertentes do pensamento político, o discurso da esquerda é amorfo, não traz nada de novo e, é facilmente engolido pela direita e sua razoabilidade de sempre, com frases feitas e propagação de notícias falsas que minam seus whats.
A direita por sua vez tampouco têm interesse em seus escritores, que na minha opinião são poucos com alguma relevância, afinal não vejo no conservadorismo meios de evoluir enquanto sociedade, justamente por limitar espaços e beirar autoritarismos, enfim, é apenas minha opinião e irrelevante para o propósito do assunto, em todo caso, os escritores da via direitista existem e também não são explorados para fins de conhecimento de causa. A direita parece sempre se alimentar de frivolidades, apoiam discursos furados de condenados que fogem para fora do país, reclamam de censura das suas liberdades, mesmo quando atacam os poderes e querem o fim de um deles, como se implodir um pilar de sustentação da hegemonia democrática fosse democrático, é confuso, bizarro e cômico.
Sugiro revisão de ideias. Políticos não devem ser heróis de ninguém. Os impérios sempre caem, por mais fortes que sejam, a história mostra isso, romanos, otomanos, austro-húngaros, todos caíram. Chegará também a vez dos reis populistas que se servem do sangue de seus eleitores hipnotizados por seus discursos panfletários.
Certamente chegarão ao fim os governos populistas, basta mudarmos nossos conceitos. Não há necessidade de mudar a base ideológica, você pode ser de direita, de esquerda ou de centro, apenas não devemos ser coagidos por retrocessos. Ninguém é rei, ninguém é súdito! Déspotas morrem geralmente pela própria vaidade. Portanto é imprescindível rever conceitos e sempre recomeçar quando o horizonte distante parecer um espelho refletindo aspirações de governadores medíocres e midiáticos.
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